terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Criadores e criaturas

Que nada se cria, tudo se recria está todo mundo cansado de saber. O que nem todo mundo é que todo mundo sabe é que em 1928, uma banda de blues de Memphis, a Cannon's Jug Stompers gravou uma canção chamada Minglewood Blues. No ano seguinte, a mesma música foi regravada por Hambone Willie Newbern, um bluesista do Tennessee, com algumas mudanças na letra. Alguns anos depois, já em 1936, Robert Johnson mudou novamente a letra, fez pequenas mudanças instrumentais e a chamou de If I Had Possession Over Judgment Day.

No ano seguinte, em 1937, o mesmo Robert Johnson cantou como era difícil carregar a maleta dela até a estação e depois assistir enquanto "ela" fosse embora.  Love in Vain é o nome da música, em 1969 os Rolling Stones gravaram uma versão dela - sem qualquer mudanças - para o Let It Bleed.

A melancolia de Love in Vain não conquistou apenas a banda inglesa e, em 2004, Eric Clapton também gravou a clássica canção junto com outras de Johnson em um álbum em homenagem ao blues man. Clapton, 30 anos antes, em 1974, havia alcançado pela primeira vez em sua carreira o número um nas paradas. A música responsável foi a gravação de I Shot the Sheriff, escrita e gravada por Bob Marley em 1973. A gravação não foi apenas responsável por deixar Clapton no topo das paradas pela primeira vez em sua carreira, ela também abriu os ouvidos do mundo todo para o Reggae.

Nem Robert Johnson e nem Robert Nesta Marley, um que ainda não apareceu na história é Robert Zimmerman, ou Bob Dylan. Dentre as muitas bandas que teve na juventude, uma delas, The Golden Chords tocava, basicamente, covers de músicas populares. Assim como Clapton levou 30 anos entre ser o primeiro da Bilboard com I Shot the Sheriff, Dylan levou 30 anos entre liderar as vendas com Desire, em 1976 e voltar à mesma posição, com Modern Times, em 2006.


Modern Times é cheio de homenagens a outros músicos e a canções clássicas. Dentre as músicas de Modern Times, está uma chamada Rollin' and Tumblin', bem parecida - apenas com algumas mudanças na letra - da clássica música de Muddy Waters que leva o mesmo nome. Por sua vez, Rollin' and Tumblin' de Waters, foi baseada em outra música, que por coincidência, ou não, iniciou este texto, Minglewood Blues.


Devido à semelhança das músicas do Modern Times com as originais, foi iniciada uma polêmica autoral, já que todas letras são creditadas a Dylan. O experiente músico explicou que todas suas canções são todas baseadas em outras músicas. "Eu fico ouvindo uma canção em minha cabeça. Em um certo ponto, algumas palavras mudam e eu começa a escrever a música", é a explicação de Dylan. E por que não a de todos?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Hasta...

Resumindo, estou meio sem paciência, meio sem vontade para posts mais longos e complexos. O Tumblr anda saciando a minha vontade de compartilhar coisas de modo fácil e rápido. Se você quiser continuar vendo é só entrar no Cabeças Voadoras. Ou até assinar o RSS pra facilitar sua vida!

Esse vai continuar aqui com tudo que tem nele, logo que a vontade e a paciência voltarem, eu volto junto!

Obrigado!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O samba que você me convidou

Para variar um pouquinho...

terça-feira, 20 de julho de 2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

É mais do mesmo. Mas é do bom.

O Etcetera, programa do Fábio Massari na OiFm, é o tipo de coisa que toda vez que eu ouço eu fico puto da vida. O motivo é que, para começar, ele passa em um horário nada nobre no rádio, das 22h às 00h do domingo. E outra é por não ver espaço para esse tipo de programação nas rádios.

O que importa é que são duas horas de boa música. Entre umas três que eu consegui ouvir, uma me chamou a atenção. É o tradicional indie pop inglês. Todos elementos estão ali, guitarra e bateria rápida, o sotaque forte, a letra falando de assuntos corriqueiros. Tudo ali. Tudo que você já ouviu em algum lugar.

The Lurios é mais do mesmo. Mas é do bom, vale a pena.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Blues + Rock + Blues

A fórmula é a seguinte: você pega um pouco de Blues, coloca com uma pitada de Rock. Mas não fica só por aí, agora vem o diferencial, mais blues, daquele bem marcante, com gaitas e bases básicas, desta vez tocadas com distorção.

O resultado? Soledad Brothers.



Esse segundo vídeo ainda é todo filmado em Super8, uma belezinha.

Michael Giacchino

Gente falando mal de Lost é o que não falta. Entendo que a série tenha os seus altos e baixos, e quando os momentos ruins aparecem, eles são realmente baixos. No entanto, além de ter revolucionado a televisão, Lost tem muitos méritos. Um dos seus pontos mais altos é a trilha sonora.

O nome do responsável por ela é Michael Giacchino. O cara já fez trilhas para games, como Medal of Honor, e  trilhas para animações. Ele vem acompanhando J. J. Abrams, uma das cabeças por traz de Lost, desde a série Alias e hoje é responsável pelas trilhas de Fringe.



quinta-feira, 13 de maio de 2010

The Black Keys tocando She Said, She Said

The Black Keys é um dupla de Blues Rock formada pelo guitarrista e vocalista Dan Auerbach e pelo baterista Patrick Carney. Pegando assim, dupla/Blues Rock, logo vem uma comparação com White Stripes à cabeça, mas não. Os Black Keys são um pouco mais psicodélicos, uma pouco mais ácidos.

Provavelmente foi dessa acidez, oriunda de tempos muito mais psicodélicos do que os atuais, que saiu a gravação de She Said, She Said, cover dos Beatles, que saiu no primeiro álbum da dupla, o The Big Come Up, que foi lançado em 2002. De lá pra cá os caras já lançaram mais  cinco CDs, sendo que o último deles foi lançado agora em 2010, o Brothers. Mas esse post é só pra colocar uma versão ao vivo que eu achei do cover dos Beatles, a versão é um pouco velha já, de 2004, mas é boa demais. Seja pela habilidade de Auerbach em combinar a guitarra solo e a base em uma mescla que não deixa nenhuma das duas apagadas ou pela empolgação e força que Carney dá, na bateria.


terça-feira, 11 de maio de 2010

The National - High Violet

A primeira música, Terrible Love, mostra a que o The National vem com o novo álbum. Com a voz de Matt Berninger mais distante e ecoada do que o normal, a música vai subindo e conquistando aos poucos. Foi assim que o High Violet funcionou comigo, na primeira vez não fui tanto com a cara dele, mas aos poucos fui gostando mais e mais.

Um pouco mais soturno do que seu antecessor, Boxer, o High Violet aposta um pouco mais nas melodias e valoriza o que a banda tem de melhor, a voz de Matt e a ótima bateria de Bryan Devendorf, que chega a ser hipnotizante em algumas músicas.

Talvez o que faça mais falta na primeira audição, seja exatamente essa rapidez presente em algumas das músicas mais antigas, principalmente nos primeiros CDs e que passa meio longe do novo álbum, exceto em Bloodbuzz Ohio, que parece ser a que mais se liga com o clima do álbum anterior. Até que se acostume com o clima, dessa vez constante durante todo o álbum, o CD pode não agradar totalmente.

O The National acertou a mão mais uma vez e  procura permanecer na boca e nas graças dos críticos musicais e do público alternativo com um álbum que tem tudo para ser tão ou mais elogiado quanto Boxer.

Alguns dos destaques do CD são Terrible Love, Anyone's Ghost, Little Faith e Runaway, que lembra bastante About Today, música do Virginia EP e que finalizou o ótimo show deles por aqui ano passado. Runaway pode ser ouvida no vídeo aí embaixo, além das outras três músicas que já tinha colocado no post anterior.





[ATUALIZAÇÃO] Saiu hoje o primeiro clipe de músicas do High Violet e a escolhida para ser o single, que já havia sido divulgada há mutio, antes mesmo dos primeiros vazamentos do CD, foi a Bloodbuzz Ohio.


quinta-feira, 6 de maio de 2010

The National ao vivo em castelo abandonado

No dia 11 de maio sai o novo álbum do The National, o sucessor do Boxer se chamará High Violet e já teve streaming autorizado, vazamento do CD e tudo, só não ouviu quem não quis. A Pitchfork fez uma série de três vídeos com músicas novas, elas são Terrible Love, Anyone's Ghost e Little Faith. Os vídeos foram gravados em um castelo abandonado e alternam entre cenas deles tocando e takes do castelo e da redondeza.

Terrible Love


Anyone's Ghost


Little Faith



Qualquer hora eu escrevo um pouco mais sobre o High Violet que está muito bom.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Wilco na Blogotheque

Se você não sabe, minha banda favorita é Wilco. Se você não conhece, La Blogotheque é um site muito bom para vídeos de música. Normalmente são bandas menores tocando em lugares estranhos, casa abandonadas, ou mesmo no meio da rua ou na praia. Semana passada eles colocaram um vídeo do Wilco, que não é exatamente uma banda pequena, tocando uma música do último álbum, Country Disappeared.

Os vídeos são sempre antecedidos por pequenos textos. Neste caso o começo do texto foi: "Sometimes we tell ourselves that no, the band is too famous, too important, that their label would never let them do a Take Away Show. We have a fantasy list: Radiohead, Tom Waits, Chuck Berry, Cat Power. Wilco." E eles conseguiram gravar Wilco. Vale a pena assistir. Para você, talvez menos pelo interesse na banda e mais pelo trabalho de câmera muito caprichado como sempre.





Mais alguns que valem o play:

Phoenix com 1901, no pé da Torre Eiffel


Yo La Tengo em um parquinho


Delta Spirit dentro de um bondinho em movimento

quinta-feira, 25 de março de 2010

Jim Marshall

Se você gosta de fotografia ou música já deve ter visto alguma fotgrafia tirada por Jim Marshall ao longo da sua vida. Jim Marshall foi muito provavelmente o maior fotojornalista musical que já viveu. Na manhã de hoje, Marshall morreu em um quarto de hotel enquanto dormia, poucas horas antes do lançamento de um livro coescrito por ele.

Agora, se você gosta de fotografia e também de música, nesse caso, deve sonhar em tirar uma foto tão influente e retratando tanto o rock dessa geração, como Marshall fez durante sua carreira. Algumas fotos famosas dele podem ser vistas abaixo, mas o legado que ele deixa é muito mais vasto do que isso.



































































segunda-feira, 22 de março de 2010

O Segredo dos Seus Olhos

Parece que A Fita Branca do Heneke era o favorito ao Oscar de melhor filme estrangeiro, até que chega uma película dos nossos hermanos argentinos e deixa o filme pra-lá-de-cult sem o Oscar. A Fita Branca tem tudo, passa-se na Europa em período pré-guerra mundial, fotografia em preto e branco, diretor cultuado, ou seja, era pra ser ele. E O Segredo dos Seus Olhos? Bom, ele tinha o tão comentado plano sequência.

De tanto falarem eu acabei aprendendo o que é um plano sequência, é uma cena sem cortes. Simples, muito simples. E assim eu assisti à melhor cena do filme pelo YouTube, e, felizmente, o filme não perdeu a graça. Você pode assistir aqui, por sua conta e risco sabendo que a cena acontece mais ou menos no meio do filme, ou seja, spoiler.


O filme é a história de um agente federal de justiça, Benjamin Espósito, aposentado que resolve escrever um livro sobre um caso que participou, estupro seguido de assassinato de uma jovem recém casada. Com essa espinha, O Segredo dos Seus Olhos coloca de tudo na tela, cenas de ação, pitadas de comédia e romance. A direção de Campanella é muito competente e o filme tem êxito nos seus 129 minutos, não sendo cansativo nem dispersando a atenção do espectador.

Outro ponto alto é a maquiagem, mas principalmente no protagonista, Espósito, que no começo do filme me fez imaginar se era um homem mais jovem envelhecido ou um mais velho rejuvenescido. No entanto as maquiagens dos outros personagens, que não aparecem tanto, principalmente quando envelhecidos, deixa a desejar bastante, principalmente quando a tomada optada é um zoom no rosto, pode-se ver a pele mal enrugada, o pó por cima para disfarçar as emendas.

Não cheguei a ver os outros indicados a melhor filme estrangeiro, mas O Segredo dos Seus Olhos é um bom filme e não deve ter deixado ninguém decepcionado com a sua escolha ou pela falta de escolha por outro dos filmes estrangeiros pela Academia.

PS: Achei também um vídeo bem interessante mostrando os efeitos especiais do começo da cena acima, esse não tem spoiler nenhum, pode assistir sem medo!

quinta-feira, 11 de março de 2010

De Itaparica para Salvador

O trajeto entre a Ilha de Itaparica e Salvador pode ser feito através do Ferry Boat, um barcão que transporta pessoas e automóveis de um porto ao outro, em pouco menos de uma hora. A vista é maravilhosa, ver a cidade de Salvador com seus prédios e construções históricas se aproximando pouco a pouco é de tirar o fôlego, ainda mais em um dia ensolarado. Engraçado como a paisagem pode distrair tanto, a ponto de se fechar os olhos ao que está mais perto do que as duas pontas da travessia.







terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A melhor atuação da década



Fim de década é assim mesmo, lista pra lá, lista pra cá. É tanta lista que você fica nervoso quando vê uma nova de "melhores da década". Mas o New York Times resolveu, brilhantemente, inovar. Atores e atrizes conhecidos de Hollywood foram escolhidos para dar seus depoimentos dizendo quais foram as melhores atuações da década.


Achei interessante a diversidade de nomes que apareceu, desde escolhas que por um lado podem ser chamadas de óbvias, porém por outro parece inevitável que sejam trazidas à tona. Como exemplo desta categoria eu colocaria a escolha de Julianne Moore, que indica a atuação de Sean Penn em Sobre Meninos e Lobos como uma das melhores da década. Outro exemplo foi a rápida escolha de Morgan Freeman por "qualquer atuação feita por Maryl Streep", que já teve no total 16 indicações ao Oscar, entre melhor atriz e melhor atriz coadjuvante e nem deve aguentar mais ser indicada.


Por outro lado algumas escolhas foram no mínimo inusitadas, como Sam Worthington, que você provavelmente já se cansou de ver nas propagandas de Avatar, escolhendo as atuações de Eddie Murphy como as melhores atuações da década, indicando-as como subestimadas. Uma escolha que pareceu feita bem nas coxas foi a de Jake Gyllenhaal, que indica qualquer atuação de Peter Sarsgaard (nada contra o ator) e ao ter que escolher uma em especial, indica a atuação dele no indicado ao Oscar deste ano, Educação. O engraçado é que Gyllenhaal mal consegue dizer o papel de Sarsgaard no filme, parece que caiu meio de paraquedas por ali e acabou soltando qualquer coisa na tensão.

O resultado final é interessante por não numerar em uma lista os X escolhidos, deixando de lado alguns e gerando as velhas polêmicas que não levam a lugar nenhum das listas de melhores. Além de colocar alguns bons nomes da atuação (outros nem tanto assim) comentando quais foram os melhores da década no seu ramo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Lobisomem


Definitivamente as assombrações estão em alta. Vampiros e lobisomens são temas de filmes, livros e seriados com qualquer abordagem possível. Sejam os vampiros vegetarianos da saga adolescente Crepúsculo, os vampiros zumbis do livro Noturno coescrito pelo diretor Guillermo Del Toro ou o assustador True Blood na tela da televisão.

Não poderia faltar uma releitura de algum dos clássicos do cinema de terror, e é para cumprir este papel que Benício Del Toro, que apesar do mesmo sobrenome do Guillermo, nada têm de parentesco, chega às telas com Lobisomen, uma nova filmagem do clássico dos anos 40.

Dirigido por Joe Johnston, Lobisomem conta a história de Lawrence Talbot, que volta a sua casa na Inglaterra Vitoriana após a morte misteriosa de seu irmão. Em tempos de 3D e efeitos especiais cada vez mais realista, seria de se esperar que o pilar do filme fosse o lobisomem correndo solto durante a noite. No entanto não foi a intenção dos produtores, entre os quais está o próprio Benício. O filme se constrói envolta das atuação de Benício Del Toro e Sir Anthony Hopkins, que encarna seu pai. A ainda para completar há o detetive da Scotland Yard, Abberline, vivido por Hugo Weaving. Sim, o detetive é o mesmo que caçou Jack, O Estripador, a quem existe referência durante o filme.

O filme não nos apresenta nada a mais do que o esperado. Efeitos especiais regulares, ótimas atuações de Del Toro e Anthony Hopkins e bons sustos são elementos que estão ali. No entanto fica um aviso, se você não é do tipo chegado a filmes de terror e muito sangue, nem se arrisque a assistir ao filme, que chega a beirar o gore em muitos momentos, com cabeças voando, intestinos espalhados pelo chão e afins.

Agora, se o espectador é do tipo que se diverte com tais cenas, aproveite a pipoca enquanto o lobisomem, vestido em trajes finos ingleses da era vitoriana, corre atrás de qualquer coisa que respire e se mova.




Você também pode ler esse textos e outro no http://super-super8.blogspot.com/ !

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Rota 66, pancadaria na USP e a mídia como fundamentadora


Dia 17 de junho de 2009 a Polícia Militar entrou em confrontou com alunos e funcionários da USP durante uma manifestação. A justificativa oficial, apresentada pela PM na mídia, foi a de que durante a manifestação, uma patrulha da PM foi agredida por estudantes dentro do Campus Butantã, resultando nas ações da PM, que não tinha outra solução senão dispersar os manifestantes na base do cacete e do gás lacrimogêneo.

Lembrei deste episódio muitas vezes lendo Rota 66, do jornalista Caco Barcellos. Ao longo do livro somos expostos à brutalidade da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), tida como uma das divisões de elite da Polícia Militar de São Paulo. A Rota é conhecida pela sua violência. Essa violência é sempre fundamentada, pela própria Rota, dizendo que eles lidam com criminosos muito violentos, inclusive o tipo mais odiado por todos, os estupradores.

Rota 66 mostra que não é bem assim. O primeiro caso exposto por Caco Barcellos é o caso da Rota 66, que após uma longa perseguição pelas ruas de São Paulo, resultando em uma batida, os membros da Rota assassinaram três rapazes que desceram de um Fusca implorando por suas vidas. O interessante deste caso é que, pela primeira vez, os assassinados eram garotes de classe alta, o que causou uma investigação aprofundada por parte da perícia. Após pronto, o inquérito mostrava que houve excesso de violência, fraudes por parte dos polícias e três garotos assassinados sem necessidade, de forma pra lá de brutal. Nem assim os policiais foram condenados ou deixaram de receber menções honrosas por seu bravo trabalho.

Como esse, muitos outros casos são apresentados, sempre com os mesmos elementos. Perseguição desnecessária - partindo apenas de suspeitas por parte do policiais-, assassinatos, adulteração da cena do crime e mentiras.


Os casos, tanto os descritos no livro como o caso da pancadaria na USP, por mais que sejam totalmente diferentes - tendo em comum alguns pontos, como o excesso de força da PM – têm em comum um ponto de extrema importância, a utilização da mídia como fundamentadora para essas ações. Em todos casos descritos no livro, os autores dos assassinatos sempre se referem aos mortos como criminosos cruéis e a mídia sempre reproduziu estas afirmações, como se fossem justificativas para surras em públicos e tortura. Em nenhum momento coloca-se em dúvida se os argumentos de uma entidade tão importante para a sociedade, que é a Polícia Militar, sejam reais ou não, apenas aceita-se.

No caso da USP somos colocados novamente frente ao problema da fundamentação, a mídia reproduziu o argumento dos militares de que os alunos agrediram os policiais (fato que foi desmentido por alunos que se encontravam no local, em conversas pela USP) e com isso a sociedade aceita os absurdos que foram cometidos, os excessos de violência e compartilham da visão de que vagabundo tem mais é que apanhar e assim a vida continua. Os inocentes vão sendo mortos e os argumentos dos assassinos, reproduzidos por uma mídia viciada e, de certa maneira, preguiçosa, são aceitos e compartilhados pela sociedade.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Amp (ou não), Black Drawing Chalks (metade dele), MQN e o direito de imagem

O SESC Pompeia tem uma choperia legal música ao vivo, ponto positivo. O ponto negativo é que ele fica, obviamente, na Pompeia. Nunca me arrisquei a assistir algum filme em Imax porque a única sala em São Paulo fica no Shopping Bourbon Pompeia. Black Drawing Chalks, MQN e Amp na chopeira? Lá vamos nós.

Marcado para às 21 horas, nunca que começaria às 21 horas! Não vi os avisos via twitter, vou para o SESC Pompeia pouco antes do horário de início. Chegando lá após errar o caminho uma ou duas vezes, ouço o Black Drawing Chalks tocando My Favorite Way de lá do lado de fora. Que delícia, já perdi um pouco do show. Descubro que o show do Amp já foi e que o do Black Drawing Chalks já está mais ou menos na metade. Logo pensei que devia ter perdido Magic Travel, música que ainda não vi eles tocando ao vivo, uma das minhas preferidas. Vou até perto do pessoal vendo o show, saco a câmera para tirar as fotos antes que seja tarde.

Paro na frente do guitarrista, Renato, e CLAQUE. Primeira foto, ficou legal, a iluminação está muito boa. Alguns passos para o lado, paro na frente do guitarrista e vocalista Victor, pego no fundo o baterista Douglas e CLAQUE, CLAQUE, CLAQUE, tiro três fotos de uma vez. A primeira delas ficou boa, legal. É aí que o segurança me chama e diz que não posso tirar fotos com uma câmera que não seja portátil. Descobri com outras pessoas que os motivos eram os mais esfarrapados possíveis. Perigo nas fotos irem parar na imprensa, direito de imagens das bandas, como se os caras que estão ali tocando naquele dia se importassem e não quisessem mais é que todos tirem fotos. Soube que alguém chegou a pedir autorização para quem as bandas e elas concederam, mas nem assim pôde tirar fotos.

Foi assim que descobri como funciona o SESC Pompeia, show começa às 21, acaba às 23h30, disso não passou. Fotos que não de celular ou câmera portátil? Só com autorização da área de assessoria de imprensa do SESC, afinal, o direito de imagem das bandas pode ser ferido com uma daquelas câmeras grandes, imagina aquilo voando direto no seu direito de imagem, fere muito!

Sobre os shows, Black Drawing Chalks mandou bem na metade que eu vi do show, depois descobri que eles não chegaram a tocar Magic Travel.O pessoal bem na frente do palco estava bem animado, combinando com a apresentação deles. Os caras têm uma presença de palco muito boa. Eles disseram que com o show do MQN veríamos onde eles aprenderam a fazer rock n roll.

Foi verdade, tinha apenas ouvido uma música ou outra dos goianos mais veteranos, os caras são bons no palco. Empolgam a audiência com a música e falando bastante merda entre uma música e outra, um show bem legal com muita cerveja voando pra todo lado.

Lição aprendida, se quiser tirar fotos no SESC peça permissão, afinal, direito de imagem não é coisa leve, ainda mais depois que os próprios donos da imagem permitirem que as fotos sejam tiradas. Acho que na próxima vez eu vou até a Pompeia pra experimentar o cinema mesmo...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Atividade Paranormal


Atividade Paranormal é um daqueles filmes que de tanto que falam você acaba ficando curioso para assistir. Particularmente acho filmes de terror um terror mesmo, me assustam logo para longe do cinema ou de onde for, dificilmente levo algum a sério. Atividade Paranormal foi uma das exceções e me fez ir ao cinema querendo assistir.

O ponto principal do filme é seu baixo orçamento e o modo como arrebentou no exterior, foi filmado com apenas 15mil dólares e ganhou 9,1 milhões de dólares na primeira semana de exibição nos EUA. Ao todo apenas quatro pessoas atuam no filme todo, sendo na grande maioria do tempo o casal Katie e Micah, que têm os mesmos nomes na vida real.

Desde o começo o filme tenta se colocar como uma espécie de registro real, documentário, ao fazer agradecimentos, como se alguém lhes tivessem fornecido os vídeos. Logo depois disso começa o filme em si. As primeiras cenas são de Micah testando a câmera que comprou para registrar os eventos paranormais que acontecem na vida de sua namorada desde que ela era apenas uma criança.

O filme demora pra pegar, chega a ser entediante no começo, quando imagens noturnas dos dois dormindo ficam passando, apenas para mostrar que nada aconteceu. Neste ponto quem quase dorme é o espectador. A tensão não é o suficiente para deixar a audiência atentamente olhando para a tela. Após uns bons minutos de filme sim, a audiência fica apenas esperando onde será o movimento ou qual será o som.

Um ponto altíssimo foi a falta de diálogos idiotas explicativos. As poucas explicações que são dadas sobre o casal ou sobre os fenômenos que acontecem com a garota são bem colocadas em um diálogo entre ela e um médium. Nada de “Oh meu deus Micah, estamos juntos há X anos...” ou esse tipo de fala que tenta contextualizar a história mas acaba apenas mostrando o quão mal pensado foi o filme e mal escrito o seu roteiro!

Atividade Paranormal mostra aos grandes filmes de terror, que tanto me aterrorizam, de Hollywood, geralmente remakes dos terrores japoneses, que um alto orçamento e efeitos especiais não são o suficiente para a construção de um clima de terror, o necessário é algo inexplicável que pode ou não surgir no filme e quem está longe de surgir nos Chamados da vida.


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

500 dias com ela


Já parece ser de praxe, todo ano sai o “indie movie do ano” que conquista o grande público. Foi assim com Pequena Miss Sunshine, há dois anos atrás e Juno, no ano passado. Este ano a novidade foi 500 dias com ela, dirigido por Marc Webb, conhecido pela direção de diversos clips.

O filme deixa claro desde o começo, não se trata de um filme de amor, mas sim um filme sobre o amor. Um cara conhece uma menina, uma menina conhece um cara, o cara se apaixona pela menina... ela não se apaixona por ele. Provavelmente seja essa quebra da fórmula, que está pra lá de saturada, que deixa o filme um tanto mais interessante.

Por outro lado pode ser que o mais interessante do filme seja a forma não linear com que ele é contado. É sempre perigoso tentar inovar neste quesito e contar a história de forma atemporal, e são dois pontos que fazem com que seja perigoso. O primeiro dele é o público não entender a história exatamente e o outro é algum furo grande passar no roteiro. Compreendi o filme perfeitamente, acho eu, e não encontrei nenhum furo no roteiro.

Agora, um dos altos do filme, o que vem se fazendo tradição também nos outros indie movies citados, é a ótima trilha sonora do filme. Pequena Miss Sunshine teve sua trilha especial com muitas músicas do Devotchka; teve apresentou ao mundo The Moldy Peaches com Anyone else but you (e acredito que eles não passaram disso...) e agora 500 dias nos faz ouvir The Smiths, Regina Spektor, Wolfmother e mesmo Pixies, com Here comes your man cantada no karaokê.

500 dias é muito agradável e legalzinho, mas passa longe de ser o melhor dos indie movies, falta o algo a mais nele, do jeito que Pequena Miss Sunshine surpreendeu, ou como Juno teve seu ótimo roteiro, 500 dias parece bater-se nessa parede do “plus a mais” e acaba sendo apenas um filme legal, por mais legal que ele seja. E ele é.

Trailer do filme: