quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Em branco

Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. Em branco. =)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Parágrafos

Não era a primeira vez que havia lido o último parágrafo do livro, sabia que tinha que parar com isso, já havia deduzido o final de alguns deles graças ao maldito hábito. Mais uma vez a vontade foi mais forte, já tinha lido o último parágrafo algumas vezes, talvez umas 3 ou 4. O que o intrigava era que não fazia muito sentido, não conseguia deduzir um final, isso o incomodava.

Estava deitado lendo, talvez mais pensando do que lendo. Era o último capítulo do livro, com o mistério das últimas linhas, a vontade de ler e descobrir como seria o final era enorme. Mas sua cabeça estava lotada, pensava e pensava e pensava. Principalmente em algumas dúvidas. Não sabia o que devia fazer, sabia que precisava estudar, mas começar com o que?

Ao mesmo tempo em que pensava no que estudar veio sua namorada e a discussão que tiveram graças a uma mensagem de celular mal interpretada por ela. Ela precisa ser tão teimosa? Isso o incomodava muitas vezes, não apenas isso, muitos problemas apareciam entre eles ultimamente. Pensava o que seria dele caso não tivesse namorado ela, pensava se não tivesse acontecido naquele momento aconteceria mais tarde? Seria tudo aquilo inevitável?

Com isso passou a outras dúvidas. Imaginou se aquilo tinha que acontecer ou se era possível que outros caminhos fossem seguidos. Era a velha história de destino, ele não tinha uma opinião formada sobre isso. Sempre achou que seus atos poderiam mudar o seu futuro, ao mesmo tempo acreditava que algumas coisas aconteceriam independentemente de qualquer ação.

Talvez exista realmente destino. Cada vez mais ele passava a acreditar nisso, seus pensamentos, suposições, imaginações, tudo levava a isso. Existe destino. No momento em que decisões tinham que ser tomadas e assuntos importantes vieram em sua cabeça, ele descobriu que tudo estava escrito, aconteceria de qualquer forma, ele tinha apenas que continuar como sempre havia feito.

Eis que quando percebe já está na última página do livro, foi lendo sem prestar a mínima atenção nas palavras, acentos, vírgulas. Era a última página e ele não sabia como tudo tinha se desenrolado para o último parágrafo, lido e relido algumas vezes. Continuou mesmo assim, até o último ponto. Terminou e ficou olhando para a branquidão que vinha logo abaixo; o último parágrafo não era o mesmo, havia mudado.

domingo, 6 de julho de 2008

Pois é

Hipocrisia não é mais cinismo, eu chamo de multilateralismo, um afago pra cá uma cusparada pra lá e assim o país inteiro vai te amar.

Por Móveis Coloniais de Acaju - Swing Hum e Meio (O homem, a verdade e a castanha)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Humor e jornalismo

Claramente percebemos o respeitável papel que o humor teve quando em conjunto com o jornalismo, em toda a história nacional. As revistas ou periódicos humorísticos foram muito importantes como veículos para protestos, principalmente em tempos de ditadura, quando a imprensa era censurada. Um dos principais exemplos é "O Pasquim", jornal que fazia oposição à ditadura militar.

Foi-se a ditadura, ficou o humor, sempre de mãos dadas com os brasileiros. Em tempos de democracia plena é triste vermos como um programa de humor parece ser o principal incômodo aos nossos políticos. O programa ao qual me refiro é o CQC (Custe o Que Custar), da band.

O incômodo causado foi tanto que como resposta foram proibidos de entrarem e gravarem qualquer tipo de matéria dentro do Congresso Nacional. As perguntas sinceras e diretas, as que muitos dos brasileiros adorariam fazer cara a cara com muitos de nossos "políticos", não são do tipo que os deputados e senadores gostam de responder. Parece lógico, se algo nos incomoda devemos sair de perto - mas... seria mais fácil tirar o incômodo e continuar confortavelmente no mesmo lugar. Foi esta a solução.

Foi-se a ditadura, ficou a censura, ficou a picaretagem dos políticos, ficou o comodismo do povo, ficou a falsa ilusão de que sozinhos não somos capazes de mudar algo no país.

Ficou também uma aparente autocensura do jornalismo, que trata de assuntos levianos com profundidade e extrema seriedade, e muitas vezes parece preferir não cutucar os "poderosos". O papel da imprensa seria justamente incomodar, no sentido saudável, os políticos; o que não vemos com muita freqüência acontecer por aqui. A imprensa de vez em quando aparece denunciando esquemas de desvios de dinheiro ou o que quer que seja, e usam a denúncia para se vangloriar, elas se tornam motivo de publicidade. Ela passa a impressão de nos ter feito um favor, quando apenas cumpriu seu papel na sociedade, que deveria ser feito com mais freqüência.

Finalizando, é dever de todo brasileiro que estima a liberdade de expressão lutar por ela, nem que seja apenas com um ato mínimo, tal qual uma simples assinatura.

www.cqcnocongresso.com.br

É rapidinho...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Certezas

O homem sentado olhava o movimento na rua, a brisa do final da tarde batia em seu cabelo, arrumado, de um jeito não o parecesse, olhava, pessoas passavam. O que estariam elas pensando? Saberiam elas para o que corriam, sabia ela por que corriam? Nada parecia importar, apenas o fato de que todas corriam. Alguns nem olhavam para os lados, apenas passavam com aquele passo acelerado. Pareciam procurar nos olhares dos outros andarilhos algum consolo ou conforto, quem sabe até mesmo uma resposta. Por que corro? Por que estou aqui? Para onde vou?

Infelizmente, para os que procuram alguma resposta, elas não são oferecidas pelos outros que dividem a calçada. Tudo que ganham em troca são olhares avoados e distraídos, ouvidos cheios por fones que alienam e tocam os tons da solidão escolhida, mãos nos bolsos e expressões que passam apenas uma certeza, a de que não será aquela a pessoa a responder.

No canto de seu olho o homem parece ver algum movimento diferente do constante vai e vem. Uma moça que andava tão apressada e solitária quanto todos os outros deixa uma simples folha cair e continua andando, sem perceber. Um jovem ao passar percebe a folha caindo, abaixa-se, pega a folha e corre atrás da moça. Entrega-lhe a folha e em um ato ordinário sorri e pergunta se a moça está bem, ela lhe responde apressadamente que sim, balança a cabeça em um movimento frenético e logo se vira para continuar andando.

O homem sentado continua observando e percebe que o sorriso ordinário permanece nos lábios do jovem, a moça vira-se e um sorriso aparece também nos seus lábios. De uma forma incrível, como se fosse algo extremamente transmissível, o mesmo surge em seus lábios, e o homem sentado percebe que talvez não esteja tudo perdido. Assim, ele levanta-se, respira fundo e tranqüilamente pula a janela para dentro da sala.

A única certeza que possui é que a certeza que possuía há poucos minutos já não é uma certeza. O homem de pé coloca o paletó, contempla o céu azul e vira as costas; naquele momento ele tem uma certeza, a de que naquele dia ele voltará para casa e por mais difícil que tudo pareça ele continuará de pé.